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Bienvenue Blog

Maresia de inspirações, disparates, aventuras, desabafos, misturas. Aquarelo por aí também. Mantendo a alma livre o mais que posso.

RESENHA | LIVRO | A Raiz da Maldade - Claudia Mina

por Laura SaintCroix, em 23.04.18

Bonjour!! Esse livro de hoje é especial. :>

Faz tempo que eu não escrevo, estou com saudades, então vamos matá-la com uma postagem do blog.

 

Capa:

46691772.jpg

Sinopse:

Um crime envolto em mistério. Assassinatos em série. Um jornalista vive seu pesadelo solidário em sua busca obsessiva pela verdade. Qual o motivo leva um assassino a matar? Em meio à loucura de um jogo de ilusões e mentiras, a resposta pode ser perigosa demais...

 

Por que especial?

Primeiro, é de um amigo. Segundo, um presente. Terceiro, eu fui a capista.

O autor me presenteou com o livro físico e mais um outro de contos em que tinha participado, eu fiquei tão feliz. É a segunda vez que vejo meu trabalho impresso bonitinho. A primeira foi com o livro da Yasu, ela me deu também, o primeiro livro dela. Eu ainda vou relê-lo com meus olhos atuais, haha. Nós rimos bastante disso.

Bem, focando. Fiquei feliz e li mais que depressa. Foram... Hm, 340 páginas, mais ou menos, em um dia. E olha que parei algumas vezes para fazer outras coisas. Isso significa que foi bom, eu sou incapaz de me manter focada por tanto tempo se algo não for bom, hahaha. O único livro que li ininterruptamente foi Dracula de Bram Stoker, quase a mesma quantia de páginas num único dia também. Versões físicas, porque em e-book meus olhos cansam mais, então nem que eu quisesse poderia ficar presa à leitura tanto tempo pelo visor.

 

Não é a primeira vez que resenho livro de amigo, nem a primeira que resenho um presente. Então eu serei imparcial. Principalmente porque são meus amigos, eu serei imparcial, isso é importante para que saibam a verdade sobre seus escritos. Qual é? Todos nós temos que ser justos e honrados para aceitarmos uma resenha, hahaha. [[ pessoa que fala como samurai ]]

 

Nesse caso, falarei primeiro os pontos bons, porque tô com vontade.

 

Beware the spoilers. Vai ter spoilers sim. Eu sempre ponho porque não sei falar direito sem isso.

 

Desenvolvimento de personagem.

Eu adorei a verossimilhança deles. Tanto de Iuri quanto de Max. As coisas que Iuri fazia eram plausíveis. O background de gostar do assunto de serial killers e saber um pouco, mas nem tanto assim porque ele não era da polícia foi ótimo. Uma visão um pouco mais externa do caso. Bem mais plausível que um pirralho entrar pra polícia.

Isso não foi indireta pro Light Yagami, ele era um gênio e a construção de personagem dele tornava isso bem possível, apesar das leis. Embora não lembre direitinho se ele entra de fato ou só fica de tocaia, mas ah, esqueçam, foco. foco.

 

Iuri era muito esperto e ativo. E na trama, achei a união da esperteza dele com a sorte dele muito bem planejadas. Assim, ele não foi atrás do caso da menina morta na universidade até o fim porque queria propriamente, o que era inerente a ele e ao background dado era que ele gostava de encontrar a raiz das coisas, a força motriz. Ele foi atrás também porque se lembrou de um antigo amigo ao vê-lo ser interrogado. Aqui entra a (má) sorte: ele conheceu o tal amigo/sociopata quando ainda estudava.

 

Amigo, pfffff, eu sempre quis um amigo rico, mas dispenso esse, please. No.

 

Falado do Iuri e da construção dele, vem a do amigo com probleminha sério: Maximillian Beaumont.

Beaumont me lembrou muito Belmont, que me fez ter vontade de jogar Castlevania.

 

O ponto forte desse cara foi o escritor não tentar fazê-lo algo estranho ou misterioso demais.

Pelo contrário, ele era comum. Eu não vou falar muito sobre isso porque é um dos pontos fortes do livro, não quero estragar, mas tem partes que eu ri bastante. Você se pega sentindo simpatia, um pouco de pena. Mas logo passa.

Vou falar pouco sobre ele porque não quero mesmo estragar nada.

 

Outro ponto ótimo do livro são os diálogos completamente naturais, mesmo os mais extensos. Claudia fez muito bem tornando-os naturais, algo do nosso tempo, nossos termos, sem precisar recorrer a palavrões para deixar as coisas pesadas. Não, o peso do livro é o assunto, é um peso gélido.

 

Não é um manual, "serial killers fazem desse jeito", não, é algo natural, e dá um pouco de receio porque parece que qualquer pessoa que você conhece pode ter essa vida secreta se for inteligente o bastante.

 

A passagem de tempo do livro foi agradável também, os lugares sem uma coisa específica, mas ambientados muito bem.

 

Voltando à verossimilhança, lá para perto do final, eu achei muito interessante que o Iuri foi uma pessoa completamente normal ao agir. Ele não foi um mocinho tentando ser herói, foi alguém tentando viver. O modo de pensar, as sensações e sentimentos voláteis quanto ao Max e o que ele estava fazendo (descubram), eu achei isso bastante humano. O autor não tentou deixar Iuri como um cara que sabia de tudo, um expert só porque assistiu meia dúzia de documentário e achava que tudo ia dar certo. Ele usava a lógica que tinha de momento e tentava, meio atrapalhado, meio azarado, como qualquer um de nós naquela situação sem ser o Steven Seagal.

 

Agora, alguma coisa negativa, bem pouca, que me incomodou.

Não foi em momento algum da própria história, para isso eu bato palmas, tudo me agradou. Mas na escrita em si. Não chega a ser um defeito, talvez seja mais gosto meu, mas não sou chegada a repetição.

O livro é narrado em terceira pessoa, então era para lá e para cá: "havia o que estava acontecendo", "havia feito", "havia pegado". Alguns parágrafos isso podia ter sido substituído por "fizera", "pegara", ou uma reformulação. Isso é mais estético, e nem foram tantos trechos, mas foi o bastante para eu prestar atenção nisso.

 

Ainda na repetição, algumas descrições caíram no vício do "parecia". "Parecia cinza", "parecia que iria", "parecia sentir", sempre sem muita certeza. Eu não sei se o intento era dar algum suspense, hahaha, mas eu achei meio repetitivo. Não sei se se trata de alguma técnica, pode até ser.

 

E um terceiro que eu também cometo vez ou outra (não que eu não cometa as anteriores, mas esse aqui eu tenho certeza): querer dar suspense ou alongar as frases com descrições de coisas um pouco óbvias. Eu li uma passagem assim mais ou menos perto do começo, mas como li tudo num dia, perdi e esqueci, mas exemplificando, foi como se o autor estivesse descrevendo um objeto cilíndrico feito de vidro, com fundo um pouco desenhado e a borda lisa o suficiente para produzir um lindo som por mãos hábeis, ao invés de escrever "taça". Entenderam? Mais ou menos isso. Eu achei uma descrição assim, acho que foi para causar um suspense, e me lembro que fiquei um pouco confusa. Precisaria ler outra vez, mas nada monstruoso.

 

E falando em monstros, esse livro me deu vontade de ver o famigerado anime Monster. Eu espero que seja bom, porque ouvi tanto sobre esse clássico que se não for bom eu vou bater na cara de alguém.

 

Spoileando sobre o finzinho, então pulem esse parágrafo se quiserem: eu achei um pouquinho cliché, mas gostei ao mesmo tempo. Explico, fiquei contente do Iuri ganhar o good end do livro, depois de tudo o que ele passou. Ao mesmo tempo, o psicopata cair no papo de "estou cansado", "fiz com que você se tornasse o que é oposto a sua natureza" e etc foi um pouco previsível, eu achei que ele fosse fazer isso logo que eles iniciaram a briga e ele fez. Era o tipo dele. Mas não iria gostar de outro fim, tampouco, eu estaria reclamando do mesmo jeito porque sou chata. Hahahaha.

 

As referências e o modo de inserir o título do livro dentro da história foram o máximo. Eu não pesquei as referências tanto assim porque não são coisas que eu curto, só uma delas. Mas a menção e a liga que se formou com o título, exterior e interior do livro, eu gostei muito. A motivação do Iuri, a busca dele acaba nos fazendo refletir de fato. Amei o fato de eles serem praticamente antíteses, e algumas partes, a introdução, foram simplesmente poéticas.

 

Arrematando, eu adorei a leitura. E concluí comigo, no meu íntimo, que a Raiz da Maldade é a falta de criatividade do ser humano saber o que fazer com tanto dinheiro.

 

Cara, dá pra mim se você vai gastar isso fazendo merda.

 

Quantos sapinhos esse livrão merece!?

Cinco sapinhos insanos!

 

Espero que gostem, podem adquirir o livro físico com o autor nos facebooks da vida, e na livraria cultura também está disponível, se não me falha a memória. :>

O ebook está à venda AQUI.

 

Muito obrigada, Claudia, por me presentear com algo tão bom!

 

No decorrer da semana, resenharei aos porquinhos o outro livro, de contos. E preparem os kokoros e os shinzos que tem coisa pra falar, e não é falar bem não. Quero o mundo queimando. [mentira]

Estou no começo e amanhã pode ser que saia a primeira parte da resenha.

Pode ser.

Estou devendo um bocado de resenhas de álbuns de coisas do KAMIJO e Matenrou, e o que tenho pra falar é tão bom, amei tanto que quero socar alguém, mas é a vida. Uma hora eu escrevo.

 

Não está lá a melhor revisão do mundo esse post porque estou caindo de sono, mas está aqui porque eu queria muito escrevê-lo. Também queria postar foto do livro em si, porque a capa impressa ficou tão linda. [[chora]]

Mas estou pendendo.

 

Beijo na bunda e até segunda (legal porque hoje é domingo).