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Bienvenue Blog

Maresia de inspirações, disparates, aventuras, desabafos, misturas. Aquarelo por aí também. Mantendo a alma livre o mais que posso.

bONJOUR!

Eita, não vou apagar.

Hoje é um dia mais ou menos calmo, não tanto porque minha mãe passou mal e teve que ir à Santa Casa, nada grave, mas é bem chato e eu estou um pouco preocupada.

 

Resenhas contêm spoilers. Minha palavra com imparcialidade é com relação a amizades, autores, editoras, regras e coisas do tipo. Não sou imparcial se não gostei do que li, se não achei bom, posso até ressaltar que a escrita e história sejam condizentes, mas a nota final é de acordo com meu gosto pessoal.

 

Capa:

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26- Fragmento do demônio - Matheus Ferraz Rodrigues

O nome desse conto aqui passa uma coisa que ele não é.  Se não estivesse numa antologia, eu jamais leria isso, só pelo título, e eu estaria perdendo um conto bom pra caramba.

Um dos que mais adorei até aqui; escrita fluída, boa, tema que eu gosto, sem tirar nem pôr. Eu não mudaria uma vírgula. Os diálogos são ótimos e fluídos também. A trama ao todo é a que mais me agradou porque teve um motivo que não simplesmente evocar algo demoníaco. A ambientação e condução fez com que tudo parecesse só mais um dia na vida do protagonista do conto, e essa impressão é ótima, porque ele já viva antes de nossa leitura e vai continuar a fazer o que ele faz. Não pareceu uma situação criada só pro conto, entendem?

E outra, é o único que pareceu ser um vampiro. Que me lembre, eu não estou relendo as resenhas.

Acho estranho que num livro de horror todo mundo escolher demônios quando vampiros são muito mais legais.

Fora o fato de que ninguém se "aproveitou" de coisas que as pessoas têm medo mesmo. Palhaços, aranhas, escorpiões, animais que afetam o psicológico de momento. "Fulano, acabei de ver uma aranha" e seu cérebro já fica em alerta e qualquer coisa que relar em você, você pula "Meu Deus, a aranha", e na verdade é só uma folha. Grilos também são ótimos, minha mãe odeia e morre de medo. Coisas que mexem com o psicológico real. Eu sei que tem gente que tem fobia, mas em se tratando de escrita, escritores podem usar disso. Até mesmo quem tem a fobia em si pode escrever sobre se quiser. Depende de cada um, do escape de cada um. E numa antologia, se é algo ruim para você, você pula o conto e segue. Então sinto falta de terem usado coisas que implantassem medo psicológico nos contos. Um livro inteiro e eu só senti medo de encontrar a pessoa do segundo conto, Sra. Heart. Isso não é uma crítica a esse conto aqui, é claro. Só me ocorreu e eu escrevi.

De toda forma, parabéns, adorei esse conto.

Nota: 5

 

27- Umbra - Everton Medeiros

A pessoa que escreveu esse conto deve achar que reencarnar é um pesadelo, haha. Enquanto lia, achei o conto inteiro que iria se tratar de uma coisa assoladora. E não.

Não gostei, entretando, justamente porque a quebra de expectativa aqui foi muito ruim. Achei que seria algo mais profundo que um poço de escuridão para uma outra vida. Não seria mais sórdido se caíssemos para o nada? Se só caíssemos para sempre, por razão nenhuma? Eu também iria detestar um conto com esse fim, mas ao menos a expectativa poderia agradar um pouco mais, eu acho. Tem ótimos jeitos de usar escuridão.

Nota: 2

 

28- Lichtl - Itallo Chagas

Esse conto deveria estar num livro de comédia. Não é possível que alguém escreva o que eu li aqui a sério. O conto se trataria de um nefelim, pelo que amigos me disseram, mas a criatura que dá nome ao conto carece de uma pesquisa minha, mais aprofundada, porque só no google eu não achei. Mas a criatura em si não é nenhum problema. A mãe e o pai é que são. A escrita também. Não vou dizer que é ruim, mas não é boa e poderia ser muito melhor. A pessoa não sabia se narrava em tom épico, moderno, folclórico (como se narrasse uma Cinderella) ou tudo junto. Não optou por nenhum e ficou uma farofa. Vou dar a nota abaixo só porque gargalhei.

Ps: para dar uma curiosidade, é um eufemismo para "pênis" dado nesse conto. Vale a pena ler só para rir.

Nota: 0,5

 

29- A Escuridão dos Olhos Teus - Stephanie Santana

Um bem ruinzinho. O suspense se mantém morno, eu não teria continuado a leitura se não soubesse que era curto (e não tivesse TOC de ter que ler se comecei). O começo é no mesmo ritmo do conto de uma amiga, Sangue e Prata, mas depois desanda. Começa com ação. Depois a pessoa enrolou tanto, mas tanto, com diálogos que não disseram nada com nada (ruins, rasos) que você termina de ler com um alívio de ter acabado.

Não é o pior da antologia, imagine, mas com um zelo a mais pelo segmento da história e lapidação na trama para dizer o que se queria dizer e ficaria bom.

Nota: 2

 

30- Sangue Sobre Mobília - Carlos Eduardo Silva Pinheiro

Enquanto lia os títulos dos contos para marcar os que eu achava que iria gostar, esse aqui foi um dos que pensei comigo "gostei desse título".

E lendo-o, é algo que eu mesma teria escrito, porque é o tipo de coisa que gosto e meu jeito de narrar é mais ou menos isso. Tipo de palavras usadas, clima, narração. Porém, o rumo da história não foi nada demais. A escritra é gostosa de ler, recheada. Não foi perfeito, mas muito bom, floreado de uma maneira gostosa.Seria perfeito se unissem a boa narrativa com algo interessante, mas faltou o interessante dentro da história. Assim como um bolo super enfeitado e a massa dele ser gostosa, mas meio seca.

Nota: 4

 

31- V-Rod - Deco Farnesi

A forma de escrita desse conto é muito peculiar, pra caramba. Algumas vezes eu voltava e relia, porque não entendia ou porque gostava. É meu jeito de escrita preferido junto com a escrita floreada do conto anterior. Por mais que algumas coisas fiquem duvidosas, é um duvidoso bom, sabem. Algo que dá um prazer em reler.

A história do conto não é mais do mesmo de alguns outros contos. Na verdade, acho que não vai ter outro conto igual a esse pelo final desse livro, muito difícil. Inusitado e legal. Apresentaria isso como um dos melhores.

A nota é pessoal porque a temática ainda não me pega de jeito, mas é facilmente um dos melhores para quem gosta. O tom de mistério é ótimo.

Nota: 4

 

32- Bênção do Mar - Vinícius Cayres Salles

Esse parece de um escritor que gosta de RPG e classes medievais. O jeito da escrita também.

O conto segue um reino e um bardo, a narrativa é em terceira pessoa e não é ruim, não me chamou atenção, mas ruim seria cruel.

A parte que menos gostei, infelizmente, foi o principal do conto. A canção do bardo.

Rimas ficam empobrecidas se sempre rimam verbos com verbos. Não sei como bardos cantam/trovam, mas uma música tem um certo ritmo mesmo que só escrita. Refrão, ou mesmo o número de versos, ou quantia de palavras nele. Uma cadência gostosa de leitura.

Aqui pareceu tudo jogado e posto apenas por contar a história, sem uma preocupação que tornasse a cancão do bardo uma canção de fato.

Eu já li O Hobbit e têm canções lá, e bem... Isso aqui foi meio falho. Digo isso porque gosto de poesia também.

Nota: 2,5

 

33- A Menina do Black Power - Marcela Carvalho

Isso aqui é um grande tiro pela culatra. Fiquei enraivecida ao lê-lo, não pelo que ocorre, mas por ser um tiro pela culatra.

É desesperançoso, desnecessariamente desesperançoso.

Pelo título, eu pensei que seria bom. Fui tapeada.

Explico: a intenção claramente era retratar o preconceito.

Mas isso foi feito de uma maneira muito... como eu posso dizer, muito rasa, muito óbvia. É como se apontassem uma placa para uma menina negra "vejam, vejam, olha, ela sofre preconceito" e batessem nela mais um pouco para mostrar "olha, ela sofre preconceito".

Cara, não é assim que se mostram as coisas. Menos ainda que se criticam a sociedade.

Eu não vivo essa realidade, não posso falar por uma menininha negra numa escola, mas acho que as coisas não precisam ser só 8 ou 80, sabem? Pessoas negras também têm amigos na escola, por mais que sofram preconceitos. Eu posso estar falando merda, mas eu era meio estranha na escola e mesmo eu tinha amizade. Eu não sou negra, mas tenho cabelo crespo e sofri bullying por isso, e por ser gordinha e "cdf". Mas eu tinha amigos. Então eu tento encaixar esse conto numa realidade que me pertença e tento pensar assim, supondo que se tratasse de uma menina gorda e a autora quisesse enfatizar o preconceito, eu iria me sentir arrasada porque mesmo gorda, eu tive pelo menos um amigo. As coisas não foram assim tão secas.

Isso é uma opinião pessoal, não sei se estou me fazendo entender, mas acho desesperançoso pra caramba o conto acabar com um suicídio. Não é que não aconteça, não é que isso não possa ser escrito ou representado. A pessoa só fez isso soar ainda pior da forma que fez. Quase como enfatizando que "não, pessoas negras sofrem bullying e só podem sofrer bullying", sabe? Algo bem negativo. Eu não gostei mesmo. Até esperava aparecer algum tipo de demônio para um acordo, como em Kuroshitsuji, mas não teve nada que eu entendesse como demônio.

Quando eu falo para usar coisas reais para provocar medo, não quero dizer para tripudiar sobre algo que pode ser uma triste realidade e descrever tudo assim, de modo jogado e chulo, tentando sinalizar preconceito e enfatizando-o ainda mais de forma ruim, reiterando-o. Se em todo santo lugar se afirma que negros sofrem preconceito, não é essa a única visão que acabamos tendo deles?

É um livro de "horror" e tudo o mais, mas a temática me pareceu, sei lá, tirar proveito da situação e da menina ser negra. Algo semelhante seria se fosse uma menina gorda, ou uma menina careca.

Fora que a forma descritiva do sangue, vômito, vidro, não podemos esquecer que é uma criança que está sendo retratada, e não estou falando da etnia aqui, é uma criança. É opção sua, mas uma descrição do tipo, para mim, num conto curto e sem algo que prepare o leitor com um background, algo mais longo, é desnecessário e nauseante na situação em que se deu, um suicídio.

O conto é um tiro pela culatra. Não é que não se possa fazer, criticar, opinar, mas no caso de escritor, faça com zelo, com pesquisa. Algumas mudanças e seria um conto razoável.

Eu mesma já descrevi em outras situações algo com crianças e gore, até pesado, se formos avaliar só a forma (o que eu escrevi era mais forma física apenas do que uma criança de verdade dentro da história), mas nada que me deixasse enojada como aqui.

No final, não sei dizer, mas acho que um livro de horror talvez não fosse lugar para retratar algo assim. Eu detesto contos assim.

Nota: 0

 

34- Floresta dos Esquecidos - Paulo Gonschior

Esse conto tem uma narrativa ótima, mas aqui o que os outros não enrolaram positivamente para criar um clima, esse conto enrolou em dobro. Se era necessário ou não, não sei dizer, mas a impressão que tenho é que duas páginas a menos e ficaria perfeito. Eu estava cansando da história do meio pro final, porque já tinha sacado o que iria acontecer.

Nota: 3

 

35- Culpa - Ana Paula Braz

Eu vou ser completamente franca: eu não entendi porra nenhuma.

Era uma vampira? Era um reflexo? Era um fantasma do passado?

A narrativa é um pouco enfadonha e cria um clima para passar um nada porque a história é confusa. Você fica na expectativa de entender e não entende porque a pessoa fala nada com nada nos poucos diálogos e na narrativa.

E olha, eu que sou a de escrever umas paradas confusas, mas essa aqui tá de parabéns.

A estética da escrita não é ruim entretanto. Só faltou rumo.

Nota: 1

 

36- A Coisa que espreita no escuro - Isaque Q. M. Lazaro

Puta, que agonia de ler isso, e eu nem estou falando uma agonia boa. É a escrita excessivamente descritiva em coisas desimportantes. Eu sei que foi para dar clima, tensão, e talvez tenha funcionado de uma maneira estranha, porque eu terminei esse conto estressada, e iria socar um cadeado se visse um.

ABRE O CADEADO LOGO, FILHO DA PUTA.

A descrição do negócio feito de sombras foi boa, boa demais até chegar na parte do "hímen asqueroso". O que é isso, meu chapa?

Eu teria encurtado pra caramba esse conto.

O final é previsível e entediante.

E o escritor tem que tomar cuidado com rimas indesejadas no meio da narrativa. "O escuro se estendia como um véu diante dos olhos de Daniel." Mas é conto ou poesia?

Nota: 1

 

37- Rouba-Pele - Marco A. P. Rodrigues

Uh, esse aqui foi bom também. Admito que fiquei um pequeno cagaço da criatura aqui. Meus parabéns, o finalzinho me deu arrepios, adorei, então nem vou falar o que é pra não estragar a surpresa. Essa pessoa soube usar aquilo que eu disse, medos humanos. Medo de ser perseguido, acoado por algo desconhecido e repentinamente conhecido.

Nota: 5

 

38- Predadores da Guerra - Rafael Porto

Esse foi o único até aqui que eu pensei "Eu leria um livro inteiro com a origem dessa criatura." Ou lenda, como preferir. Imaginem um livro de relatos só com as coisas que são retratadas aqui. Eu adorei pra valer esse conto. Manteve um ritmo ótimo no mistério, sem ter pressa e sem se esticar em demasia. Foi no ponto, perfeito a seu modo, diferente. Foi tipo comer algo novo que eu tenho vontade de comer mais vezes (se você leu esse conto e sabe da criatura você vai achar essa analogia totalmente horrenda, HAHAHAHA). Adoro quem sai da casinha para escrever algo esquisito.

Nota: 5

 

39- Ele se lembrou dela - Rândyna da Cunha

Ao terminar de ler eu pensei "wow, parece que entrei na parte de contos bons dessa bagaça", eu também gostei pra caramba desse aqui. Inovador dentro de um tema quase batido. Zumbis.

E sabe o mais assustador aqui? Dica: não são os zumbis.

O único defeito desse conto, mas que não vou tirar ponto por causa disso, é o título bobinho. Não me veio nenhum a mente, mas esse soa como algo que não vai surpreender. Se fosse conto isolado, passaria batido pra mim.

Nota: 5

 

40- Menino Coelho - Felipe Ventura Botomé

Eu falei que estamos na área de contos bons. Essa pessoa também soube como usar crianças para o terror, eu fiquei pasmada. É um conto curto, na forma de relatos, e isso cria uma expectativa muito, muito boa. "Nossa, Laura, mas coelho?", sim, coelho.

Não vou dar nota máxima também porque lá, lá no finzinho eu queria ter sido surpreendida um pouquinho mais, mas já valeu muito a leitura.

Nota: 4,5

 

41- Zé do Peixe quer o seu voto - Vitor Abdala

Esse aqui foi um barato. Que título é esse, hahaha. Mas muito, muito interessante.

A escrita é ótima, o mistério construído, o ápice, a gente chega ter pena do coitado do Zé.

Outra vez, nem vou falar muito porque seria estragar a surpresa.

Nota: 4,5

 

42- A Coruja - André Anansi

Quase bom. A criatura usada é muito legal, mas os diálogos aqui e comportamentos das pessoas são convenientes demais, principalmente a namorada do cara em questão. Rasa que nem água em mesa. Agiu de maneira histérica quase sem razão enquanto na vida real, se você fosse namorada de um cara que acorda com o apartamento todo bagunçado, a primeira coisa que você iria perguntar é se estava tudo bem, se alguém havia invadido, se ele estava ferido. E não começar a chorar e dar piti achando que o rapaz começou a usar drogas sem qualquer razão aparente, tomar remédio para dormir não é usar drogas ilícitas. O escritor usou a namorada só para causar discussão e uma cena de desolação depois. Achei isso muito "meh".

Esse conto seria bom se conduzido de forma diferente.

Nota: 1,5

 

43- Eucaristia Profana - Thiago Stark

Esse aqui foi bem escrito e foi surpreendente no sentido de que a pessoa saiu um pouco do limite de mostrar só demônios vindo a esse plano, seitas nesse plano. Ele mostrou o inverso.

Porém, não achei perfeito porque acabou do nada. Eu virei a página achando que teria mais e me senti pisando num degrau em falso, não senti o climax, tinha outros personagens com pontas soltas e ficou na mesma. Isso pode ser bom ou ruim, dependendo de quem lê. Para mim, foi ruim.

Ainda assim, um conto bom.

Nota: 3,5

 

44- O Livro - Thiago Souza

Hm, outro da linha dos contos diferentes, mas não foi muito feliz. Achei a criatura muito boa, diferente, mas a justificativa disso foi meio mais do mesmo e eu fiquei "hm, então tá" e fui para o próximo conto. Eu gosto de surpresas e a justificativa foi fácil demais.

Nota: 3

 

45- A Última Bala - Tarso S. Martins

Agora não me lembro se a criatura aqui são zumbis ou vampiros, mas parecem com aquele filme "Eu sou a lenda.", me lembrei disso e gostei pra caramba.

Só que achei o protagonista meio jeca. Isso não deixou de ser uma supresa também, mas a gente quase que dá risada pelo azar, não foi impactante.

A nota é mais pelas criaturas e tema, não pela história.

Nota: 2,5

 

Bom, acabamos por hoje, e pelo que eu li também, ainda estou lendo o resto e na próxima trago tudo, eu acho. Veremos.

Espero que estejam gostando, eu estou gostando de ler, por mais que encontre alguns dissabores, eles fazem os outros contos melhores ao nos depararmos com eles. O contraste acaba por ser benéfico, eu talvez não fosse gostar de algo perfeito demais, sem eu poder meter a cacetada em nada.

 

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