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Bienvenue Blog

Maresia de inspirações, disparates, aventuras, desabafos, misturas. Aquarelo por aí também. Mantendo a alma livre o mais que posso.

Eu estou muito no pique de escrever no blog, que milagre, hahaha. Bonjour!

O post passado foi uma série de percepções pessoais acerca de aprender a pintar.

 

Nada definitivo, se existe algo nesse mundo, isso é que nada é definitivo mesmo, hahaha. O desafio às percepções constante é ótimo.

 

Vim aqui falar de mim e fazer um aparte sobre Yoshitaka Amano e o que aprendi com ele e Gustav Klimt.

A primeira vez que ouvi (li) o nome do Amano foi pelo KAMIIJO. (NOVIDADE! ÁGUA MOLHADA!)

Ele disse que gostava e queria ter ido a uma exibição que teve no Japão, mas que não pôde ir.

Eu, xereta, fui ver quem era, claro. Falei um ligeiro "Uau!" pras obras dele e pronto.

Daí comecei a de fato jogar Final Fantasy por motivos de: joguinho de celular, e me deparei de novo com as ilustras dele, claro. Mas não fui atrás.

 

Ilustra vai, ilustra vem, abracei meu lado "desenha mangá, filha da puta, é o que você quer" e comecei a treinar desenhar a caneta, direto.

Fiz uma arte do Vincent Valentine e uma amiga disse que parecia inspirado nas obras do Amano. Eu fiquei "hmmmm, esse é o..." e fui buscar de novo, porque sou péssima de memória. Ah, sim, o cara que o KAMIJO gosta das ilustrações. Guardei o nome.

 

Eu sempre tive vontade de pintar em aquarela, um dia desses minha mãe viu meus olhinhos brilhando enquanto eu via alguns videos e quando fomos na loja comprar não lembro o quê, eu perguntei de aquarela, só pra saber dos preços, e a velha comprou pra mimi, hahaha. Eu fiquei "omg minha mãe é a melhor", claro.

Daí comecei a pintar, toda felizinha. Procurei algumas pessoas que também pintassem aquarela, e até mesmo o Amano, olhei algumas coisas. Mas nunca fiquei com isso fixado na cabeça, nem dele, nem de qualquer outro artista. Talvez um pouco do amarelo do Klimt, vai.

Pintei umas coisas e o segundo que fiz eu mostrei em um grupo de arte no Facebook. Não me lembro bem, mas umas quatro ou cinco pessoas disseram "nossa, lembra as artes do Yoshitaka Amano".

Eu fiquei "EEEEH?" bem de anime mesmo. Imaginem o Luffy aqui falando "Heeee, hontoka?"

Não tinha levado as coisas ditas antes muito a sério, daí com essas pessoas eu fiquei pensativa. Será que parecia mesmo? hahaha

 

Então comecei a estudar o jeito dele de fazer as coisas, e por increça que parível, ele foi quem mais me ajudou numa coisa inédita, não foi nem na aquarela, nem nas cores, foi a anatomia e composição de cenário. Eu tinha um traço muito preso, muito temeroso de errar e sair das normas. E olhando as artes do Amano, eu fiquei "eu posso treinar com isso", e eu nunca amei tanto meus desenhos quanto agora, desenhando livremente, sem me preocupar em acertar. E sabe o que é mais legal? A anatomia não está errada (não algo que se diga "nossa, que errado"). Não deixei de treinar, adoro os rascunhos do Da Vinci com cavalos para treinar também.

 

E com o Klimt, li um artigos sobre ele, que ele rascunhava em grafite o que ia pintar antes de transpôr à tela. Eu vi que eu estava errando muito as cores no que eu desejava, justamente por não visualizar bem o que eu queria. E rascunhar é exatamente isso.

 

E não posso deixar de mencionar o canal do Crás Conversa, do Thiago, onde eu aprendi que passar a lineart em caneta, ou mesmo quando você transpõe um rascunho para uma folha, seu trabalho não acabou, sabe? Eu entendi isso tão profundamente que era o que eu estava precisando. Entender o porquê de o rascunho muitas vezes sair tão legal e você transpôr ele e a coisa perder a magia. É porque você faz a transposição de maneira muito robótica, procurando acertar e perdendo a naturalidade.

Foi balsâmico entender isso, que você precisa soltar a mão também na hora de passar a limpo.

Um amigo pediu nos comentários o link para o vídeo do Crás, e ei-lo aqui: [AQUI]

Foi a maneira que eu entendi o video, aliás, então acho que ele é aberto a interpretações diversas.

 

Bom, o conjunto dessas inspirações e resoluções me fizeram abraçar meu cerne (beijos, Guardiões) e gostar do que eu faço e até querer trabalhar com isso.

 

Hoje em dia eu tenho pastinha de inspiração com algumas obras do Amano, algumas do Klimt, algumas obras aleatórias. Uma amiga disse que se lembrou de Marc Chagall e eu também guardei coisas dele.

 

É aquilo de olhar para fora para enxergar melhor o que está dentro de nós.

Obrigada pro pessoal que diz que algo meu se parece com o do Amano. Eu ainda não acredito em vocês, mas amo vocês mesmo assim, hahaha.

E não é ofensa de maneira alguma. (Digo isso porque o pessoal acha que ser comparado a outro artista é uma ofensa à sua originalidade.) Eu não acho. Comparem sim, comparem um monte com outros artistas, eu adoro estar unida a essa galera. E no caso do Amano, isso é um lisonjeio sem tamanho pra mim, já que fiquei fã dele depois de tudo isso.

Comparar com pessoas reais e outros personagens já são outros quinhentos, embora eu não me importe particularmente, entendo os outros se importarem.

 

Nada disso deixa de ser culpa do KAMIJO, mas eu dou um desconto porque também é culpa de Final Fantasy.

 

E ainda hoje acho que aquela arte do Vincent que eu fiz, e que minha amiga achou semelhante ou que lembrava do Amano, era o meu jeito de fazer o cabelo do personagem, que eu tentei imitar e aprender com o jeito que faziam o cabelo do Kusuriuri-san no anime de Mononoke.

 

O tiro nunca saiu tão pela culatra.

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Se algum dia estiverem na dúvida sobre qual presente me dar, me deem um artbook dele. Eu não tenho nenhum.

Sabiam que eu um dia cismei que o nome do Klimt era Ernest? Volta e meia eu falo errado na minha voz mental.

 

Beijos e espero que meu falatório sirva de algo algum dia além de esvaziar minha cabeça.


Como pintar aquarela sem sofrer

por Laura SaintCroix, em 17.01.18

bonjour, não sei bem a que horas esse post vai sair enquanto escrevo, mas bonjour. who cares

 

Esse ano, depois do resultado que eu considerei ótimo da minha aquarela de fogo, eu tive um fracasso derrubador com a minha biblioteca errante do livro infantil. Errei na forma, nos contrastes, eu acho, mas mais na forma e disposição de cores. Quis fazer algo miúdo demais com muito foco quando não era o caso.

 

Mas a partir daquele momento, passei a considerar cada erro como um estudo. Nomeadamente como estudo.

Então eu encarei aquela coisa que havia nascido de mim (hahaha) e disse: "Você também merece carinho". Minha mãe e o desenho de One Piece me ensinaram que você deve amar suas criações, não importa o que elas sejam ou o que façam. (É a parte da história do Franky que ensina isso.) E sinceramente não há um ensinamento mais verdadeiro. Algumas pessoas sabem disso por instinto, mas algumas pessoas, como eu, precisam se dar conta e aprender isso. A não se odiar e considerar tudo apenas um passo no aprendizado, e que aquelas coisinhas tortas podem se transformar em algo bonito, que aquelas linhas tortas também são seu puro "eu".

 

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Para iniciarmos os nossos estudos *estrala os dedos* ao som de Nosferatu, essa arte do Yoshitaka Amano. Nossos estudos do que eu aprendi, e eu quase considero que estou falando comigo mesma, hahahaha. Quem vai ler isso?

Parem e analisem os contrastes dessa imagem. Eu amo demais essa ilustração.

Tenho vergonha de copiar, de usar como referência, mas um dia eu perco isso. Eu nunca fui de usar referência, nem imagem, mas quando se é profissional *pigarreia* você precisa pegar uma de vez em quando (ou sempre). Mais sobre isso lá pro final.

 

Acho que está na hora de eu aceitar que nem toda arte ou estilo é tão inovador assim. Eu quero que a minha, particularmente, seja só bonita.

Ele tem um estilo muito, muito próprio. Olhar os contrastes pequeninos, nas folhagens, o quanto ornam com o resto, o foco de luz na menina, e lá atrás da menina o escuro das árvores, e atrás das árvores o claro outra vez. Essa imagem tem um foco de luz e isso atrai a visão. E olha que as cores são bem pálidas.

 

É isso o que eu aprendi a planejar antes de iniciar algo. Uma das coisas que eu errei (e ainda erro, why not? eu sei em teoria, mas a prática é outra coisa, uma coisa que pode fugir ao controle porque não somos robôs) é que eu colocava muitos elementos em cena depois de que passei a querer incrementar com cenário. Cenários são perigosíssimos. Eles podem comer o foco principal e você vai olhar o resultado e odiar, hahaha. (Mas não odeiem, lembrem da primeira lição.)

Mesmo quando a gente olha o horizonte, as montanhas e montes ao fundo vão sumindo, o céu gera equilíbrio na imagem geral, ele costuma ser mais claro, e se mescla à terra pelo pouco contraste das montanhas, e aqui embaixo em primeiro plano, o resto das coisas.

 

Eu aprendi a planejar as coisas antes de pôr as mãos na massa. Aprendi a fazer rascunhos antes, eles não são frescura. Faça mesmo vários rascunhos, amadureça a ideia se a sua intenção não é só testar e estudar as cores e composição.

 

Bora lá pras conclusões que tirei enquanto eu mesma estudava. Eu, infelizmente, nunca peguei num livro de estudo de cores, nada do tipo. Só observação de trabalhos, meus e alheios. E conversas com outros artistas. Acho tão lindo quando a pessoa é embasada ao dizer tudo o que sabe. Eu só tenho eu mesma e isso aqui pode estar tudo cheio de buracos e erros.

Como estou escrevendo até como uma lista para eu mesma lembrar de tudo isso (cabeça de vento), então vou usar meus "acertos" como exemplo, entre aspas porque até eu mesma posso achar algo de errado depois, ou olhos mais treinados que eu verem... Essa conversa toda, eu não quero soar arrogante.

 

Usar acúmulos de cores afastados (duas ou três cores) e degradê (mesmo em áreas grandes):

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 Essa é minha última ilustração para mim mesma, onde usei o acúmulo de cor mencionado nas áreas de sangue. Mas vejam, há áreas brancas ao redor, mais claras, e o escuro do cabelo e vermelho moldam o equilíbrio.

Nas áreas pequeninas ao redor do cabelo tem tons claros porque eu fui escurecendo os fios aos poucos. Eu não taquei preto de repente. Eu o fiz louro antes. Experimentei pôr preto rápido demais e não me agradei. Não chega a ser errado, quase nada na arte é errado, mas só se torna um estilo de fato quando você sabe o que está fazendo, e não o faz sem querer ou sem ter a intenção. A menos que você tenha um instinto ótimo, hahaha. Respeito isso também e acho incrível.

Afora isso, estude.

 

Focar um elemento (para mais, só se tiver certeza):

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 Olhem a baguncinha que é esse desenho aqui do lado. Esse é um exemplo do que não deu muito certo. Explico: eu imaginava um monte de frascos de perfume, mas eu quis dar atenção e cor a todos eles, e não foquei nada. A imagem no geral não tem um contraste tão bom também, só as pernas maravilhosas do vendedor de essências. Mas eu amo essa ilustração mesmo assim.

Seria melhor eu ter desenhado os frascos, sim, e ter posto cores mais voláteis em todos eles, cores manchadas e desbordando. Ou não ter posto cores, deixado só o contorno. Poderia ter colocado um contraste e uma luz principal nisso, afinal, de onde está vindo a luz nessa ilustração? A parede está clara, a mesa está escura, os frascos estão todos com as mesmas cores.

Outro problema foi eu não ter dado um "fundo", aprendi isso depois. Só deixar branco onde for absolutamente brilho (falando nisso, máscara para aquarela é "o canal" para isso, hahaha). Dar um fundo e limpar com um pano é ótimo pra mim. Molhado sobre molhado em aquarela só funciona se você: a) for um gênio, b) tiver tanta certeza do que você quer que a imagem na sua cabeça está praticamente plasmada, c) tiver uma referência e d) for um baita sortudo.

Eu não sou/tenho nenhuma dessas coisas, então sair pintando e pintando e pintando sem parar pra olhar e secar a pintura não funciona e vai fazer você ficar frustrado, olhando pro nada e murmurando "caguei em tudo". Hoje em dia eu apenas desenharia com calma alguns frascos, outros deixaria só um rabisco mais ou menos (os de fundo, distantes), e colocaria cor e foco só em alguns.

Essas coisas parecem frescura antes de você começar a dar com a cara no muro.

A dica aqui, além das cores, é: tenha muita certeza de com quantos elementos está lidando para colorir. Ou você vai fazer uma salada.

 

Centralizar e ter equilíbrio na composição:

Essa eu não tenho uma imagem de exemplo aqui nos meus, mas a de cima também conta um pouco. Se trata de não lotar a imagem de coisas até seu olho não saber para onde seguir. Centralizar é de fato centralizar a figura direitinho SE sua intenção for uma composição do tipo, e mais ainda, centralizar seu pensamento para um foco na sua imagem e não fazer que nem eu fiz ali em cima.

Existe a proporção áurea (aqui se você quiser ler sobre e for de exatas, haha). Pessoal fala que matemática está em tudo e isso é verdade.

Mas captando com os olhos (que) é o fato de a imagem estar harmônica e você não se incomodar com ela no final.

Não ajudei muito nessa, então procurei mais por isso para apresentar aqui e achei um video bacaninha. (AQUI)

 

Testar os tons e as cores:

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Essa é bastante relativa (todas são, na verdade). Existe a teoria das cores, e é muito bom ler sobre isso, mas eu particularmente, quando vou pintar, preciso ter um conjuntinho de cores em mente. Explico: eu não me satisfaço facilmente se não uso as cores planejadas, ao mesmo tempo em que eu não monto uma paleta certinha. É, sou difícil, haha. Então um conselho é saber tanto as cores que vai usar, para poder incrementar, e saber os tons disso. Dos meus erros que falei antes, os que mais detestei é os que não tinham os tons corretos (menos ainda uma composição harmônica).

Olha essa quimera aqui do lado. Consegue entender o que raios é isso? Foi a ultima pintura do ano passado, nem faz tanto tempo. O laranja não é tão forte e não fica vivo, o preto o apaga e a fumaça branca foi o toque final para o desastre. Se fosse um acúmulo de cor grande e apenas um, esse seria o fogo, e se destacaria do resto. Seria o correto a ser feito.

Então eu sempre, sempre vou testar os tons com grafite antes, porque se você acertar o contraste, as cores que você usar não serão nem certas nem erradas, mas apenas questão de gosto.

 

Esmaecer à distância:

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Essa aqui talvez não seja a ilustra mais excelente pra ilustrar isso (ba dum tss), mas veja as figuras atrás. Elas não têm detalhes. É mais fácil expressar distância se as coisas atrás estiverem sumindo.

As da frente também.

E daí você foca no que está no meio.

Também há o contraste nessa imagem, fundo branco e roupa preta (bem no simples mesmo, haha), e poucos detalhes, só nas vestes. Ele está para a esquerda da folha e isso indica bastante solidão (mentira, só acabei de ouvir isso, nunca tinha nem cogitado).

Detalhe: fiz essa imagem sem querer. Foi um dos casos de sorte e inspiração. Mais inspiração de fora mesmo, porque né, sorte sooooorte não existe.

 

Simplicidade rules.

A última dica, sem imagem de referência.

Se você tem dúvida sobre elementos, estude. Se não quiser ter dor de cabeça estudando, bem... por que está pintando? Sempre haverá estudo. Frequentemente. Nunca vai parar e aprenderá todos os dias algo novo, e quando for velhinho continuará aprendendo com as coisas mais simples ao observar e ter um baque. Meu professor de direção disse que quando você está enfiado e estudando alguma coisa, qualquer coisa que você será objeto de estudo de alguma forma. (Ele disse isso quando estávamos estudando placas de trânsito no manual, e bem, a gente olhava para as placas na rua e estudava "automaticamente", haha.)

Sabe seu estilo? Ele nunca estará pronto, você é artista e a vontade de mudar estará com você como uma pulga. Você vai se aprimorar e uma coisa raramente sairá como outra.

Tem gente que consegue? Pode até ser, mas não considere que você seja uma dessas pessoas porque elas provavelmente não se consideram assim, tão prontas, tão firmes.

O melhor para o seu entendimento é que você se considere um ser mutável e transitório, assim como seu estilo.

 

Eu estava agora mesmo, na reedição desse artigo, vendo uma entrevista curtinha com o Amano (já mencionado ali), e ele deu duas dicas para os novatos: tenha originalidade e se divirta.

Eu interpretei assim: a diversão faz parte do seu amor pelo que você faz. Artistas parecem seres incapazes de fazer o que não gosta, principalmente geminiano, hahahaha. Mas agora sério, é o que dizem de amar o que faz. Só não achem que por isso a gente não vai ter dor de cabeça, vamos sim.

E originalidade, acho que essa palavra engloba bem mais que o "estilo" ali em cima. Estilo, ao que eu entendo (não sei se entendem diferente) é o jeito do traçado, e resume-se a isso. Nossa, qual o meu estilo? Mangá? Cartoon? Cubismo? ArtNoveau? (que)

Achar um estilo é complicado e eu não acho que seja algo com o que você vai ter que se preocupar e trincar os dentes pensando nisso. É algo natural, vem com o tempo e sem que você busque. É uma mescla, provavelmente, das coisas que você ama, seja o estilo de outro artista, ou algum movimento artístico de época, e uma mescla do que vem do seu coraçãozinho.

Então a palavra Originalidade. Pra mim engloba um conjunto de ideias expressas, não só o estilo que veio até você e que é mutável. Você é um artista que quer expressar o quê? Amor? Ódio? Problemas íntimos? Uma vida? Isso é mutável também.

Achar a Originalidade ou o estilo me soa sempre algo que vem com o tempo enquanto você não busca nenhuma dessas coisas. É aquilo que você não quer fazer de propósito, na marra, mas que vai sair daquele jeito mesmo assim, depois de você ter feito toda a rota em busca de um estilo. É o que sai de você mais intrínseco conforme praticar (por isso é legal rascunhar à caneta). Quando eu estava tentando achar um, eu sofria horrores tentando ser realista, mas começou a ficar moroso e eu comecei a me sentir acoada.

Sério, até mesmo o meio pelo qual você faz a arte vai definir algo no seu estilo ou a maneira que as pessoas vão se lembrar da sua arte. Um resultado em tinta óleo é diferente dele em aquarela (o primeiro me parece mais fácil, ou eu que fiquei traumatizada hahahaha).

Então são coisas pelas quais eu já fiquei "bitolada" procurando, estilo, originalidade. Até que abracei o mangá como meu "estilo", o que eu sempre gostei de verdade. E dentro do mangá tem tantos estilos também, haha. Não é que você não possa procurar, eu só acho, euzinha, que é algo que vem com o tempo mais facilmente conforme você vai ilustrando o mundo à sua maneira (mesmo que um mundo imaginário). Não é algo que você tenha que ficar ali, recurvado sobre o papel, falando pra si mesmo que vai fazer sempre daquele determinado jeito e pronto, sendo que muitas vezes isso não vai ser divertido.

Gostei muito de ouvir aquelas palavrinhas e precisei vir aqui complementar antes que o artigo fosse publicado no blog. Cada pessoa sente diferente demais e nenhuma resolução é idêntica.

 

E outra coisa: por favor, não sejam como eu, não sejam muquiranas que não usam referência quando precisam. Usar referência não é vergonha, não é demérito. A menos que você faça realismo fotográfico, não vai ficar igual não, nem que você queira, na maioria das vezes. Há vários jeitos de usar referência de foto, de outros estilos, o negócio é ir fazendo que nem uma jamanta desgovernada /não.

Até quando você fizer ilustração para os outros o seu estilo vai (e tem) que transparecer.

 

So, a sua arte tem que agradar você.

Achar uma linha para o que estão te criticando à toa e as críticas construtivas que vão te moldar à marretadas é difícil. Não é todo dia que a gente quer ouvir que estamos errados e nosso trabalho está uma porcaria. Mas a gente vai ter que ouvir isso sim.

Ouvi gente dizer que Yoshitaka Amano estragou Final Fantasy com as ilustrações dele e quis voar no pescoço de alguém, pffff, você acha que você não vai ouvir nada?

 

Outro dia me disseram, num bom sentido, que eu era caótica, e eu me lembrei disso esses dias e pensei "meu Deus, isso é verdade", meu "estilo" é todinho isso. Tentando achar um equilíbrio sempre e falhando algumas vezes e saindo feliz noutras. Meus traços são tortinhos, falhados, sujos. Eu não uso régua para nada, nem linhas. Meus rabiscos são rabiscos, o grafite não some quando eu aquarelo por cima, pelo contrário, quero mais é que ele esteja ali. Lineart? Eu rio na cara das linearts porque eu não sei fazer um traço tão polido assim.

Isso é um hoje.

Acho que eu sofreria tanto com vetor.

 

Outra vez, nada é definitivo quando se está pintando, dado ser algo que se altera conforme os sentimentos. Você pode ter um resultado em uma pintura que contradiga noventa por cento do que eu disse aqui e ainda gostar dela, e me apresentar isso e eu gostar disso. E então você pode tentar fazer de novo um resultado semelhante e querer se defenestrar.

 

Mas respira fundo e continua pintando, estamos nessa por essa emoção.

*desliga o botão de autoajuda*

Sabe a ironia desse título? Você vai sofrer, pois é algo sem fórmulas. Estudar deixa as coisas mais fáceis em alguns sentidos e muito mais difíceis em outros, porque você vai passar a prestar atenção.

Só nunca abandonem a vozinha no coração que te indica por onde ir.

 

Qualquer erro grotesco aqui, me digam, e qualquer coisa que precisem de ajuda, me digam também.

Eu amo falar sobre essas coisas, de verdade mesmo.

Futuramente talvez eu adicione mais coisas, eu estarei sempre aprendendo e sempre compartilhando isso aqui. Essas coisas podem não ser nada novas para pintores experientes, e podem ser super inéditas para outros. Só é legal falar.


Dor de cabeça e felicidade?

por Laura SaintCroix, em 16.01.18

bonjourrrrrrr

Sou tão habituada a cumprimentar com "bonjour" que eu acho que não sou eu mesma se não fizer isso.

E tem de ser online. Eu raramente falo "bonjour" de fato.

 

Minha mãe sempre diz que "a gente se habitua com tudo" e é a mais pura verdade. Acho que isso é um tipo de resiliência, você se habituar com uma merda até que isso se esvai e você nem percebe.

 

Tenho tido dores de cabeça e acho que se isso não for energia, é falta de beber água. Porque eu me esqueço de levantar e ir tomar um copo d'água. Eu tomo mais água quando estou escrevendo.

 

Nesses tempos eu tenho pintado aquarela, bastante, e me descoberto e desvendado. Desvendado o meu cerne. E desvendado por mim mesma as "bases" da arte. Eu tenho uma maneira estranha de aprender, as coisas não se encaixam em mim até eu mesma vivenciar isso. Eu via todo mundo estudando os famigerados valores (uma imagem em preto e branco) e eu ficava "mas por quê?", e até que entendi. É o contraste, o quanto o preto se encaixa sutilmente no branco para dar uma imagem harmoniosa ao resultado. Eu entendi isso "por mim mesma" ao observar meus resultados falhos e me perguntar o que eu não havia gostado neles. Essa cor e outra cor não ficaram bem juntas, a imagem não ficou centralizada, não havia harmonia de um elemento e outro. Fora o fato de eu pintar rápido demais algumas coisas porque fico ansiosa e com pressa de fazer, mas é algo mais que pressa, é uma necessidade de resultado e de sentir que estou fazendo algo. Eu paro e me analiso e vejo que isso volta e meia domina minha mente ao ponto de eu não conseguir sentar e ver um filme sem ficar analisando e puxando ideias feito louca.

Não é uma ansiedade boa porque oitenta por cento das vezes em que isso ocorre é porque eu quero provar a mim mesma que posso. Os outros vinte por cento é quando eu de fato quero pôr uma ideia em prática, e essa é uma ansiedade boa, por assim dizer. Os resultados dessas vezes costumam ser bons, mas há uma diferença entre esses vinte por cento e os oitenta. Nos vinte, eu consigo sentar e ver um filme, e posso ir fazer minha ideia depois com a mesma animação. Nos oitenta, não, eu preciso ir. Eu preciso ir como se fosse perder um trem e não dar atenção a mais nada. Sair me irritaria.

Novamente, mas, eu estou melhorando isso ao estudar meu próprio comportamento. Ontem eu me senti assim e fiz de propósito tentar praticar a tal ideia na minha mente. E dito e feito, eu a visualizei de um jeito e saiu de outro porque fiz com um pouco de pressa. Mas como eu estava já "pronta" para isso, eu não me decepcionei ou irritei com o resultado, porque então eu aproveitei e fiz outras experiências artísticas nisso, hahaha. Misturei óleo, acrílico, e só não incrementei decoupage porque eu não tenho a cola (e nem papéis bons).

 

Hoje, ou amanhã, não sei, vou experimentar fazer uma outra ideia para um fanart do Sono. A luz e a sombra estão tão bonitas aqui dentro.

 

Com o tempo de escrita da postagem, agora estou com azia.

 

Acho que vou transformar esse blog num centro de autoajuda para pintores de aquarela se descobrindo.

Preciso mencionar minha pequena crise criativa em que eu não conseguia me surpreender com minha escrita, e eu não ria verdadeiramente do que escrevia. Justamente por me lembrar do que escrevia. Já que eu já tinha lido o meu próprio livro quase onze vezes num curto período. Se torna maçante, mas é comigo. Então isso é uma ilusão, não é? Eu sei o quanto me diverti lendo e escrevendo isso. E um dia isso volta, porque me esqueço das coisas e as redescubro com alegria depois.

Isso já passou, só precisava mencionar o jeito de o meu cérebro processar as coisas.

Esses acontecimentos devem estar em algum lugar na ansiedade sobre as aquarelas também, mas é bem menor, sabe, porque não há o fator de gastar material. Eu só gasto no mínimo um pouco de energia elétrica, haha.

 

Um amigo acabou de revisar um livreto infanto-juvenil e eu estou bem feliz de ele ter gostado. Isso me lembra que eu vou ter que reescrever uma coisa que nem eu mesma lembrei pra dar a resposta a ele.

Por isso, tenham revisores, crianças.

 

Hoje vai ser um daqueles dias em que eu quero fazer várias coisas, várias ideias, continuar meu livro principal, pintar aquarela praquele fanart, pintar aquarela para meu livro infantil sobre corruíras (yep, eu tenho isso agora, e está ficando tão lindinho), pintar uma aquarela para o KAMIJO porque eu quero, pintar uma aquarela para o artbook de Agharrin, revisar o livro e consertar os erros, fazer uma aquarela divertida para a capa desse livro... E passar raiva com Castlevania antigo, mas esse está por último, sério, aquilo não é de Deus.

Ah, e ficar sentada vendo anime.

Viram quantas coisas? Quantas ideias? E eu tenho vontade de fazer todas, e nenhuma. Vontade de Schrödinger.

Ah, eu tenho muitas coisas a compartilhar agora, mas vou só gravar uma postagem automática. Escrever no blog tem sido uma das vontades, e a mais fácil de concretizar.

Não perca na próxima postagem uma lista de percepções criativas acerca da pintura.

 

Cara da postagem:

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Yoshitaka Amano.

É de um dos artbooks de mulheres, virgens se não me engano, ou posso estar falando groselha.

Inté a próxima. Onde eu falarei mais e mais acerca disso tudo.


O que aprendi sobre aquarela esses dias

por Laura SaintCroix, em 15.04.17

Primeiramente, que eu sou meio lerdinha.

Segundamente, que eu estou morrendo de saudades de escrever!

Pintei aquarela quando ganhei, depois em tela uns tempos, depois fui para caneta nanquim e desenvolvi arte para o meu furuto ebook, fiz um booktrailer no photoshop, depois voltei para aquarela... O que significa que há meses não escrevo!

Fiz umas páginas entre um arroubo e outro, mas nada muito significativo em quantia.

 

Aprendi que papel de aquarela tem lado para pintar. Francamente, primeiro pensei que era gramatura que estava errada, depois que era a cor (diferença entre branco e creme), e agora descobri a verdade: eu não havia percebido que andava pegando as folhas ao avesso. Fui pesquisar por ter achado estranho a razão ser a cor. Então a verdade veio.

Eu não sou tão ruim em aquarela, eu sou só meio lenta e azarada. (O lado certo sempre tem umas ranhuras/ruguinhas a mais! e o avesso é mais liso, mesmo nas folhas lisas)

Aprendi combinações de cores que ficam legais e não enjoativas também. Aprendi a usar o roxo. Hoje, meu último achievement foi fazer o cabelo do Rin sem estragar tudo. Vitória.

Aprendi também que eu não curto muito a folha branca.

As cores da pele do Rin ficam bem mais legais no papel creme. E, agora estranhamente, o papel creme meio que não escurece com a água. O branco, sim. E isso atrapalha um pouco, ter que esperar secar. Ah, é claro, é que esses papéis não são os tão próprios, gramatura 150. Mas o creme não enruga quase nada, o branco enruga mais, mesmo a gramatura sendo a mesma. Acho que o pólen é naturalmente mais duro, sei lá.

 

Eu não tenho como - nem por quê - pedir aos meus pais um papel mais proprício, o preço não é agradável e meu ramo principal é a pintura em tela. Mesmo que eu esteja amando aquarela, a probabilidade de haver venda para isso aqui é mais baixa que tela, eu acho. Não vou oferecer esse serviço, tampouco.

Faço aquarela por pura troça e vontade. Quero aprender o maior número de pinturas que me for possível, eu também pinto em tecido, quero aprender a pintar em vidro um dia, e porcelana. São pinturas bem mais delicadas.

 

Mas há esse papel creme, e nas oportunidades que eu vejo ele à venda, eu pego. O preço é 12 à 14 ou 16, depende do humor do Extra. Agora já aprendi que o creme é mais agradável para pintura, para a minha pintura.

 

Aprendi também que o papel absorve o óleo da sua mão, e que se for o caso, deixa até sua impressão digital. Sim, meus desenhos são meus, sem dúvida, tenho prova disso.

 

Aquarela é uma coisa bem mágica. Upei algumas no meu Dev. :B

Desenhinho sem censura porque, né, é o meu blog.

Esse é meu preferido.

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Não sei o quanto vai durar esses arroubos, quero prosseguir, mas quero ideias. Ainda há o que eu queira realizar para mim (eu gosto de desenhar o Rin, na verdade isso é automático, mas estou com vontade de fazer o Sono).

 

As pequeninas aqui embaixo são feitas em papel branco.

 

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Acho que vou deixar o branco para grafites.

 

Beijinhos, té mais.