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Bienvenue Blog

Maresia de inspirações, disparates, aventuras, desabafos, misturas. Aquarelo por aí também. Mantendo a alma livre o mais que posso.

Correntinha do desgosto

por Laura SaintCroix, em 22.01.17

Vou postar isso no blog porque... quero postar.

Eu não odeio nada. Eu amo muitas coisas, mas não odeio nada.

Porém não gosto de algumas coisas, e é o que vou fazer aqui. Basicamente um #meettheartist escrito.

E é mais uma lista do que eu não gosto mesmo, não uma lista que cerceia o seu jeito de agir. Isso aqui é só a minha bolha de espaço pessoal.

 

Não gosto de me explicar um monte para ser entendida e a pessoa me responder com uma imagem ou só um emoji.

Não gosto de não ser respondida, porque se fosse pra eu falar sozinha, eu estaria falando com uma porta. Portanto, detesto tentar criar um vínculo através de um comentário e ser ignorada. Sinto que escrevi à toa, e sinto dois terços da vontade de conversar e conhecer a pessoa desaparecerem.

Não gosto que me intimem a fazer x ou y coisa. Eu sou pintora, escritora. Ponto. A pessoa vê x ou y coisa e diz "você deveria fazer isso" em tom de ordem. Não estou falando de quem dá uma sugestão amigável, isso eu também faço, mas algumas pessoas fazem você jurar que vai fazer aquilo, e nos obriga a ser descortês e dizer "não curto muito". Sugestão é muito bacana, intimação não.

Não gosto de estar no processo de algo e alguém me dizer o que fazer em seguida. Isso aconteceu poucas vezes, há muito tempo, com a minha mãe, mas ela conseguiu perceber que eu não curto muito. Eu prefiro mostrar o desenho e estar aberta a críticas. Eu não sou flor que se cheire, demorei a começar a acatar algumas coisas nas quais ela tinha razão, mas mais pela mudança dela em falar com um pouco mais de jeito.

Não gosto de que reparem só no ruim. Seja comigo ou com os outros, há o desenho/escrita/coisa x, há muitas falhas, há algo lindo. As pessoas reparam nas falhas, jamais enaltecem o acerto. O correto é apontar ambos, para se dizer que há o que melhorar e há no que você já melhorou. Não é correto espezinhar o sentimento de um artista, bem como não é correto afagar o ego. Nunca está perfeito, mas nunca é só o erro.

Não gosto que ajam com intimidade comigo quando eu não a dei. Essa é bem direta. Apelidinho carinhoso só se eu o conhecer há mais de seis anos e termos um laço. Eu posso suportar, mas vou ir ficando fria até a pessoa se tocar que eu virei uma pedra de gelo.

Não gosto que digam que meu desenho parece fulano. Se eu não conheço fulano, se você não sabe se eu gosto de fulano, não diz que meu desenho parece fulano, eu vou dar um sorriso amarelo e curtir seu comentário só pra dizer que li. (Em se tratando de internet.) Se for ao vivo, minha expressão pode ser de desconforto indisfarçável, um sorriso olhando pra baixo como quem diz "era melhor não ter ouvido isso".

Não gosto de estar me explicando+1 e fulano começar a responder só com ironia. Ironia pra mim não é inteligência num debate, é falta de argumento, e principalmente, falta de vontade de estar ali, falta de vontade de ser entendido. Se eu estou conversando, eu estou tentando entender e ser entendida, não convencer ou ser convencida. Ironia me desmotiva, e me faz sair. Se esse é o seu intento, parabéns, e conseguiu alguém que tem menos 50% de vontade de conversar com você.

Não gosto de pessoas que gritam "Apoiem a literatura nacional", mas que só divulgam, comentam ou compartilham livros da panelinha dele. Dos amigos. Não vejo um livro de estranho, uma indicação de alguém que não vá beneficiá-lo de alguma forma. Eu divulgo o que eu posso do livro dos meus amigos no meu perfil pessoal, e faço isso com livros que vejo por aí também. Não tenho muito tempo de ler, então já não levanto bandeira nenhuma, mas há alguns que levantam. Então, cara, levanta a bandeira certo, chacoalha para todos os autores, não só seus amiguinhos, não só de editora grande. Ergue a flâmula dos indies também.

Não gosto de grosseria. Comigo, com os outros, com qualquer um. Se uma pessoa é rude, eu fico imensamente desconfortável pela pessoa e por quem quer que seja a quem ela está tratando daquela maneira.

Não gosto de melindre. Eu sou uma pessoa brincalhona, percebo no ar se a pessoa gosta de brincadeiras ou não, mas ainda assim erro às vezes, e peço desculpas. Não apenas com brincadeiras, às vezes não estou cem por cento e erro, e peço desculpas. E a pessoa nem lê ou ouve. Isso é melindre, e é algo que eu não gosto. Isso pode ser considerado melindre também, da minha parte, mas essa não é uma lista de coerências.

Não gosto de arrogância. Eu sou arrogante, infelizmente, mas tento moldar isso ainda. Eu me sinto horrível ao conversar com alguém e sentir que tudo o que essa pessoa diz parece instintivamente querer amassar os meus gostos pessoais como coisas vergonhosas. Gosto de filmes e atores que nem todos aplaudem, que têm enredo fraco, que têm história de merda, só para distrair. Assisto a filmes pelos atores, e as histórias podem se danar. "Oh, mas você é escritora", mas quero me divertir também. Eu quero o máximo de mim em minhas histórias, minhas, nas dos outros eu posso querer apenas me divertir.

Não gosto de gatos. Entre ter uma capivara e um gato, eu preferiria uma capivara. Eu detesto miado de gato à noite, eu detesto o cheiro de mijo. Eu detesto o pelo que me gruda na roupa e me provoca alergia. Eu detesto o fato de andarem sobre o carro e arranharem tudo. Eu detesto, e isso beira o ódio, a natureza carniceira de alguns em já estar alimentado e ainda assim comerem pássaros. E depois que fiquei sabendo por uma amiga, que soube por uma veterinária, que a maioria dos gatos não necessariamente gostam dos donos, mas da casa, eu tenho ainda menos apreço por gatos.

Não gosto do branco das tintas brasileiras. Eles amarelam sozinhos. Se adicionar óleo de linhaça, a coisa piora.

Não gosto do calor. Não gosto, não gosto, não gosto.

Não gosto de pessoas que não colocam créditos nas fotos. Vai cair a merda do seu dedo se colocar o link de onde pegou essa birosca?

Não gosto que falem mal dos meus amigos. Eu não tenho muitos amigos próximos. Na verdade, sabe com quais amigos eu falo quase todos os dias? Dois. Minha mãe e a Yasmin. Quando digo falo, quero dizer mantenho uma conversa sem esforço e sem ficar pensando no que vou dizer em seguida. Tenho amigos com os quais posso encontrar e conversar como se o tempo não tivesse passado, mas não converso todos os dias com essas pessoas. Na verdade, ano passado, falei uma só vez com elas.

NÃO GOSTO DO ANDROID. Muito pouco intuitivo. Muito aplicativo que não dá pra excluir, até onde eu vi. Eu só usaria um deles se eu precisasse, também não vou cuspir para o alto. Não é tão ruim, mas não gosto do jeito dele. Tenho iOS, mas gostaria até do meu antigo Sony Ericsson w580i. Praticamente o único que eu tive antes do iPhone 3. E durou muito.

Não gosto que falem mal de quem eu amo. Eu amo alguns artistas. Se você vier falar abobrinha sobre eles, como dois amigos já fizeram, eu prefiro que vocês rodem, não tenho nenhum remorso em romper contato, porque essas pessoas estão mais lá por mim que vocês estão. Quem está perto de mim o bastante geralmente não comete essa cagada de falar mal dessas pessoas. E quando eu digo falar mal, é falar merda. Apontar defeitos, fazer críticas bacanas, conversar, isso é ótimo, eu adoro conversas construtivas. Falar merda em tom sério, ou tom de brincadeiras invasivas, eu nem respondo.

Não gosto de gordura em carnes. Só de porco, e se estiver bem frita, BEM frita.

Não gosto de cobrança. Se você quer algo de mim, e não está pagando por isso, não cobra, pelo amor de Deus. Eu não esqueci, eu só estou no meu tempo.

 

Acho que acabou. Se tiver mais, edito quando eu lembrar.

Futuramente faço uma de coisas que eu amo.